Estimular exercícios e limitar uso da tecnologia pode ajudar a garantir uma infância mais saudável

Alguma vez você chegou a sentir que as crianças sabem mexer no celular melhor do que você? Não é à toa. Uma pesquisa revelou que quase 40% das crianças abaixo de dois anos de idade já usam tablets e smartphones. Estimulados desde muito pequenos pela tecnologia, os mini-internautas vêm ganhando habilidades importantes para se adaptar ao mundo em que vivem, mas a interação precoce também pode ter um preço alto para a saúde. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, favorecendo distúrbios preocupantes como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

Esse “tempo de tela” pode ser encarado como um reflexo da nova rotina da família moderna: pouco tempo e paciência para lidar com a energia e curiosidade dos pequenos. Com a distração à mão, atividades como ir ao supermercado, arrumar a casa e aguardar atendimento em uma recepção ficam mais fáceis, certo?

Por isso, listamos algumas dicas que podem ajudar você a introduzir uma boa dose de atividade física à rotina das crianças. Com pequenas alterações na agenda e um pouco de planejamento, é possível incentivar uma vida mais ativa e saudável agora mesmo!

Por onde começar?

Antes de sair matriculando seu filho no judô ou no balé, é importante lembrar que o conceito de atividade física abrange também os pequenos movimentos da rotina, como organizar o quarto e brincar no tapete da sala. Estimule-os sempre que possível e evite, ao máximo, comportamentos sedentários.

Já quando se trata de esportes e atividades mais estruturadas, é importante observar o gosto pessoal da criança e deixá-la participar ativamente da escolha por uma ou outra. A função dos pais nesse momento não é decidir por ela, mas sim pesquisar as opções que mais se adéquam ao estilo de vida, idade e possibilidades financeiras da família. No caso de crianças que ainda não conseguem opinar sobre suas preferências, a orientação do pediatra pode ser importante.

O melhor esporte

Especialistas dizem que, quanto maior a diversidade de esportes, mais completo é o desenvolvimento da criança. Isso porque cada atividade trabalha aspectos diferentes nos pequenos, envolvendo fatores fisiológicos, motores e emocionais. As lutas marciais, por exemplo, trabalham fortemente o equilíbrio emocional, enquanto o basquete desenvolve o sentido de cooperação. Contudo, é preciso cuidado. Submeter a criança a treinos desgastantes e com cobranças excessivas pode promover o efeito contrário do esperado. Atividade física tem que ser prazerosa e não uma obrigação imposta pelos pais.

Celular, tablets, computadores e jogos eletrônicos: qual a regra?

Por mais que os equipamentos eletrônicos facilitem o dia a dia das famílias e divirtam os pequenos, é preciso haver equilíbrio. Regras são regras e, assim como na vida real, precisam ser estabelecidas no virtual. Uma alternativa é negociar com os pequenos e evitar que situações como as refeições em família, por exemplo, sejam invadidas pelos gadgets. Monitorar o conteúdo acessado e participar da interação é essencial. Por que não tirar um tempinho depois do jantar para jogar uma partida de vídeo game com as crianças?

Sim, o tempo é curto e os compromissos não param de superlotar a agenda, mas a saúde das crianças é coisa séria e o exemplo dado pelos pais pode ser o fator decisivo para o interesse dos pequenos em se movimentar. Muitas vezes, é possível abrir brechas na rotina sem tanto sofrimento. Experimente parar por 15 minutos no parque a caminho da escola para casa, ou convidar as crianças para ir ao supermercado a pé uma vez por semana. Acredite nos pequenos estímulos, eles podem ser a atitude chave para uma infância mais saudável.