Ausência de tratamento pode comprometer relações sociais da criança. Confira dicas para ajudá-la

Um dos primeiros movimentos de “independência” das crianças costuma acontecer durante as férias escolares, quando começam a surgir convites para dormir fora de casa. Mas, para aquelas que sofrem com a enurese noturna, o que deveria ser um momento de diversão e convivência, pode se transformar em oportunidade perfeita para pânico. Afinal, como evitar um episódio de perda de xixi para que ninguém descubra?

Por conta dessa apreensão, é comum que a criança com enurese apresente comportamentos diferenciados conforme as ocasiões se aproximam, como irritação, vergonha, mau humor e crises de choro. Entretanto, é preciso paciência e muita conversa, já que o nível de ansiedade sentido pela criança pode ter relação direta com a forma com que os pais lidam com o problema. Um papel ativo e uma atitude positiva são as melhores ferramentas para ajudar o seu filho a enfrentar a disfunção.

Opinião de especialista!

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que o diagnóstico e tratamento da enurese noturna somente podem ser feitos por um especialista. Depois de identificadas as motivações do problema – que podem ser fisiológicas, hereditárias ou psicológicas – é que ele poderá adequar as melhores opções de terapia e, inclusive, orientar os pais e familiares sobre os comportamentos mais adequados. Em casos de enurese secundária, o encaminhamento psicológico é fundamental, já que o estímulo para o xixi na cama é proveniente do emocional. Por isso, lembre-se: nunca substitua orientação médica.

Surgiu o convite. O que fazer?

Durante as férias, é comum que os amigos, familiares e até a escola organizem pernoites especiais, ocasiões importantíssimas para desenvolver autoestima e reforçar os relacionamentos sociais. A criança com enurese noturna não precisa ficar de fora! Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados para que o evento não produza traumas e afete negativamente a forma como a criança se enxerga.

Quando o convite surgir, nada de pânico! Diga que vai considerar e envolva a criança na decisão. Explique as situações que ela pode enfrentar ao dormir fora de casa, bem como soluções que podem ser adotadas por vocês, em conjunto; sentir o apoio dos pais é uma ótima maneira de despertar autoconfiança. Se ela manifestar sentimentos negativos com o convite, tente acalmá-la, mas não force. Deixe claro que a escolha é dela e que existirão outras oportunidades. Mas, caso ela aceite a proposta e queira tentar, apoie! Veja algumas atitudes que podem ajudar:

– Se a pernoite for à casa de um familiar ou amigo próximo, converse com os responsáveis. Explique a situação e peça uma forcinha na vigília de comportamentos como a ingestão de líquidos algumas horas antes de ir dormir. Vale até uma ligação para saber como as coisas estão e lembrá-lo das recomendações. O mesmo se aplica aos passeios com a escola;

– Fique à disposição, tanto dos responsáveis como da criança. Quando maiores, elas mesmas podem ficar encarregadas de fazer o contato com a família em caso de insegurança ou qualquer problema;

– Caso ela esteja em terapia medicamentosa ou condicionante (alarme), reforce os procedimentos para os responsáveis;

– Converse com o médico sobre a utilização de produtos específicos para enurese noturna. Hoje, no mercado, há roupas íntimas especiais que não aparentam diferença;

– Deixe um recadinho encorajador – e quem sabe até uma foto – junto às roupas ou em algum lugar em que seu filho irá olhar. Isso o ajudará a se sentir mais seguro e confortado.