Disfunção atinge 15% das crianças por causas hereditárias, neurológicas ou psicológicas

Episódios esporádicos de xixi na cama são comuns para grande parte das crianças até os sete anos de idade, o que nem sempre indica alguma desordem. Entretanto, a partir dos cinco anos, quando a ocorrência ultrapassa a frequência de duas vezes por semana num período de dois a três meses ou vem acompanhada de sintomas como obstipação intestinal, encoprese e alterações na urina, pode ser diagnosticada enurese noturna.

Por conta de terem uma maturação mais lenta, os meninos sofrem mais com a enurese. Enquanto a prevalência em meninas de cinco anos de idade é de até 3%, em meninos o número aumenta para 7%. Grande parte dos casos é relacionada à hereditariedade, sendo apenas 15% por outras motivações e, raros casos, por distúrbios do sono, diabetes, problemas físicos e psicológicos. Pode ser classificada em primária – quando a criança nunca apresentou um período prolongado de controle da urina durante o sono – e secundária – quando, sem causa aparente, a criança volta a fazer xixi na cama depois de ter passado, no mínimo, seis meses sem molhar a cama.

Mesmo reconhecendo os indícios, determinar as causas e o diagnóstico da enurese noturna é tarefa do pediatra, valendo-se de exames e até do apoio multidisciplinar de outros especialistas. O tratamento pode envolver medicamentos, mudanças comportamentais, apoio psicológico e, principalmente, a compreensão dos pais. A criança pode sim ser encorajada a assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado, mas precisa contar com o apoio emocional e reforço positivo da família, evitando comparações, repreensões e deboches.

É importante lembrar que, em idade escolar, a criança com enurese não diagnosticada ou tratada incorretamente, está mais suscetível a problemas de autoestima e socialização, já que nessa fase, é comum surgirem convites para acampamentos escolares ou pernoites na casa dos amigos. Nesses casos, é essencial conversar com o pequeno e com as pessoas mais próximas à criança, como professores e pais dos amiguinhos de escola. Tem dúvidas sobre como abordar o assunto? Peça orientação do especialista e procure informação.