Consultas de rotina são uma boa oportunidade para tirar dúvidas e investigar sintomas

Desde muito cedo, a rotina de consulta com o pediatra é um compromisso que as mães fazem questão de cumprir. Junto ao profissional, todo o desenvolvimento da criança é acompanhado bem de pertinho, sendo a frequência das visitas adequada ao estágio etário dos pequenos. Aos 6 anos, o espaçamento das consultas passa a ser anual, o que não significa que é hora de relaxar! Mesmo que a necessidade de acompanhamento diminua nessa fase, a prevenção continua valendo, mesmo porque, cada criança enfrenta desafios muito particulares. Uma dica para não perder o período, é marcar a consulta com o pediatra sempre próximo à data de aniversário da criança.

O que observar para falar ao médico?

Cada criança passa por situações muito individuais durante o crescimento. Portanto, observe as particularidades comportamentais e de rotina do seu filho para que o médico possa focar no que realmente importa, caso a caso. De um modo geral, hábitos alimentares, frequência de atividade física, histórico familiar, rotina de sono, registro de vacinas e funcionamento intestinal estão presentes na anamnese, um roteiro de perguntas que ajudam o especialista a conduzir a avaliação e, em alguns casos, pedir exames mais detalhados e/ou encaminhar o paciente para outros profissionais. De modo geral, a frequência de consultas deve ser mensal no primeiro ano de vida, trimestral, no segundo, semestral, do terceiro ao quinto ano, e anual, a partir dos seis anos.

Dentre as muitas questões que podem ser abordadas no consultório, uma que nem sempre ganha destaque, mas que precisa fazer parte da avaliação clínica é a rotina miccional da criança. Infecções urinárias, apesar de parecem coisa de gente grande, são muito comuns na infância, assim como a enurese noturna, transtorno que afeta cerca de 10% das crianças com 5 anos de idade e causa perda involuntária de xixi na cama. Segundo estudos, mais de 60% das crianças com enurese noturna, tem problemas de aprendizado, fator importantíssimo a ser revelado durante a consulta com o pediatra.

Mas, por que falar de xixi durante a consulta com o pediatra?

Por se tratar de um assunto que envolve a intimidade da criança e considerado comum na infância, muitos pais evitam abordar o assunto no consultório por vergonha ou, simplesmente, por acharem que, logo mais logo menos, isso vai passar. Contudo, quanto mais tempo passa, mais dificuldade a criança tende a ter para lidar com os episódios, impedindo-a de participar de eventos sociais escolares – como acampamentos e festas do pijama – e alterando negativamente sua autoestima. Por isso, se o seu filho tem 5 anos ou mais e ainda faz xixi na cama frequentemente – mesmo que após um período de mais de 6 meses seco – conte ao médico!

Investigando a enurese no consultório

No caso da enurese noturna, a consulta com o pediatra pode ser mais proveitosa se a família registrar hábitos como quantidade de água ingerida durante o dia e a periodicidade dos lençóis molhados. O diário das noites secas pode ajudar nessa tarefa. Aproveite para levar, também, informações como período de transição das fraldas, antecedentes familiares de enurese, histórico de infecções urinárias e de constipação intestinal. Confira abaixo perguntas que podem fazer parte do checklist médico e prepare-se!

– Durante o dia, a criança tem urgência para ir ao banheiro?

– A criança chega a molhar a calcinha/cueca com frequência?

– A criança sente alguma dificuldade para urinar (dor; ardência; jato fraco)?

– Durante a noite, quantos episódios por semana de xixi na cama têm a criança?

– Quantas vezes em uma mesma noite, a criança urina na cama?

– A criança deixa de dormir na casa de colegas ou familiares por conta do xixi na cama?

– A criança sofre ou já sofreu episódios de bullying por conta do xixi na cama?

– A criança já pediu por tratamento médico?

– Como os pais reagem com a enurese?

– O xixi na cama muda a rotina da casa?

–  A família já deixou de fazer viagens por conta do xixi na cama?

– Há estresse familiar por conta do xixi na cama?

Claro que a condução da consulta dependerá de diversos fatores, mas o importante é se preparar o máximo possível para aproveitar o tempo no consultório e tirar todas as dúvidas. Se você sentir que algo não ficou claro ou que o pediatra não deu importância para os sintomas relatados, procure uma segunda opinião. A partir do momento em que a enurese começa a alterar negativamente a qualidade de vida da criança e da família, é preciso sim investigar as causas e iniciar um tratamento. Em nosso site, você encontra Centros de Apoio especializados em diversas regiões do país.