Análise clínica detalhada pode ajudar famílias a identificar disfunções como a enurese noturna

Investigar a história clínica dos pacientes é um dos muitos desafios que acompanham os médicos diariamente no consultório, em especial os que cuidam de saúde infantil. Nesses casos, são os familiares que falam pelos pequenos, o que exige dos profissionais ainda mais profundidade na avaliação. Por desconhecerem sinais ou banalizarem assuntos, muitos pais ocultam informações cruciais sobre os hábitos da criança, dificultando diagnósticos.

O xixi na cama é um claro exemplo dessa situação. Por ser considerada uma condição comum na infância, muitas famílias não mencionam os episódios na consulta, chegando inclusive a punir a criança conforme a idade vai passando e o problema não se dissipa. Estima-se que uma em cada dez crianças em idade escolar tenha perdas involuntárias de xixi, o que pode afetar fortemente sua autoestima e comportamento social.

O que pode impedir/atrapalhar a abordagem do assunto pelo paciente e/ou familiares?

– Criança tem vergonha e pede para os pais não contarem ao médico

– Pais consideram assunto irrelevante, que vai passar conforme o tempo

– Pais entendem comportamento como forma de chamar atenção

– Pais consideram situação vexatória e preferem deixar em segredo

Anamnese e registro: o que observar?

A avaliação de rotina – até os cinco anos – deve considerar, basicamente, o histórico familiar e os hábitos miccionais da criança relatados pelos pais. Entretanto, se a partir dessa idade existir suspeita de disfunção miccional, é preciso reforçar a verificação por meio de detalhada anamnese, afunilando sinais até que se possa excluir e definir causas.

Detalhes como período em que a criança fez a transição de fraldas; antecedentes familiares de enurese ou disfunções urológicas; volume de líquido ingerido; urgência ou dores ao urinar; e situações de estresse emocional são fundamentais para estabelecer o diagnóstico.

No caso da enurese noturna, quatro critérios ajudam a caracterizar a disfunção:

1) micção repetida, diurna ou noturna, na cama ou na roupa;

2) micção que acontece, no mínimo, duas vezes por semana, por, pelo menos, três meses;

3) incontinência a partir dos cinco anos de idade;

4) incontinência não se deve a efeitos fisiológicos de uma substância (como diuréticos) ou a uma condição geral (como diabete e transtorno convulsivo, por exemplo).

diagnóstico de enurese noturna – de modo geral – é feito por um pediatra, responsável pelo atendimento primário à criança. Por meio da análise clínica e física, é ele quem a classifica como primária ou secundária e, só assim, determina a terapia correta, bem como necessidade de exames complementares e encaminhamento a outros especialistas, como urologista, neurologista e psicólogo.

Apoio virtual: indique fontes de informação confiáveis!

Disseminar informação de qualidade pode ser uma maneira simples e eficaz de conscientizar as famílias e facilitar o trabalho de investigação dos médicos. Quanto mais pessoas cientes das causas, sinais e tratamentos para a disfunção, o esforço na identificação do problema ganha mais mãos e, as crianças, mais aliados.

Sem Xixi na Cama é uma iniciativa de conscientização sobre a enurese noturna que tem por objetivo propagar conteúdos acerca da disfunção, bem como indicar centros especializados de tratamento.