Identificar as causas do baixo rendimento escolar é crucial. Confira como família e professores podem ajudar

Notas baixas, desmotivação, cansaço frequente e falta de interesse nas atividades escolares. Esses são sinais comuns de baixo rendimento escolar, um problema que pode até parecer preguiça, mas que esconde inúmeras possibilidades que vão de doenças físicas a questões emocionais graves. Buscar a raiz da situação, que muitas vezes vem acompanhada de mudanças no comportamento, é a chave para ajudar a criança e evitar dificuldades ainda maiores. Nesse sentido, família e professores que trabalham juntos, somam uma força importante para superar o baixo rendimento escolar e fortalecer as relações. A seguir, confira quatro situações que merecem atenção.

  • Baixa qualidade do sono

O sono é essencial para o desenvolvimento das crianças, portanto, distúrbios como a insônia ou episódios específicos que interrompam essa rotina precisam ser investigados. Um exemplo é a enurese noturna, condição caracterizada pela perda involuntária de xixi durante a noite após os 5 anos de idade. Estudos recentes mostram que 50% das crianças que fazem xixi na cama têm baixo rendimento escolar e problemas de aprendizado. Vale a investigação com o pediatra.

O que o professor pode observar: falta de atenção; cansaço; distúrbios de humor.

O que a família pode fazer: criar rituais de sono; observar comportamento noturno da criança; conversar com o pediatra.

  • Ansiedade, estresse e depressão

Nem todo mundo sabe, mas as crianças também estão suscetíveis a problemas emocionais. Mudanças bruscas, ambientes domésticos agitados e situações mal resolvidas despertam sentimentos que os pequenos podem não saber como lidar, e acabam refletindo no rendimento escolar. Atenção a questões como agenda de compromissos muito intensas, mudança de fase escolar e pressão por boas notas. Ao se verem obrigadas a atender grandes expectativas, as crianças podem desenvolver auto cobrança excessiva e consequente frustração.

O que o professor pode observar: falta de ar; sudorese excessiva; isolamento social; choro constante; mudança de humor repentina; medo inexplicável; insegurança.

O que a família pode fazer: conversar e acalmar a criança; oferecer apoio; criar rotina de acompanhamento escolar; reduzir agenda de compromissos da criança; procurar orientação psicológica.

O xixi na cama afeta a autoestima da criança. Muitas, deixam de fazer viagens, dormir na casa de amiguinhos, sofrem com deboches na escola e até mesmo em casa, e com isso, sentem-se frustradas e com culpa. O rendimento escolar costuma cair principalmente por causa da dificuldade de relacionamento com os colegas.

  • Bullying

Antes reconhecido apenas como “briga de criança”, o bullying ganhou destaque nos últimos anos pela comprovação dos efeitos psicossociais que provoca. Rumores, ameaças, chantagens, deboches e ataques físicos, acabam atingindo a vida dos pequenos antes mesmo que eles saibam como se defender. Acuados, muitos recorrem ao isolamento social e acabam baixando o rendimento escolar. No caso do xixi na cama, pernoites em períodos de férias escolares ou até mesmo sintomas diurnos, acabam por estimular a ofensiva.

O que o professor pode observar: isolamento; hematomas, machucados ou arranhões; medo constante; dores de cabeça; tristeza aparente.

O que a família pode fazer: conversar com a criança; conversar com a escola; procurar orientação psicológica.

  • Transtornos de Déficit de Atenção com Hiperatividade

O TDAH é um transtorno neurobiológico que aparece na infância e, na maioria dos casos, acompanha o indivíduo por toda a vida. Sinais como dificuldade em prestar atenção à aula, responder as questões sem terminar de ler e não conseguir ficar parado, são característicos do problema. Crianças nessas condições podem sofrer com o xixi na cama por mais tempo, aumentando o sentimento de rejeição e baixa autoestima, sentimentos comuns no transtorno. Buscar orientação psiquiátrica é fundamental para tipificar e identificar o nível do TDAH.

O que o professor pode observar: falta de atenção; distração excessiva; esquecimento frequente; dificuldade em seguir instruções e brincar com outras crianças.

O que a família pode fazer: criar rotinas; evitar discussões na frente da criança; ser claro; conversar com calma; procurar orientação psiquiátrica.