Em entrevista de rádio, urologista fala sobre enurese noturna e responde perguntas de quem enfrenta o problema em casa. Confira!

Falar sobre xixi na cama é também falar sobre privação de sono, culpa, vergonha, punições e angústia. Por mais comum que o problema seja durante a infância, sua insistência após os 5 anos passa a trazer prejuízos para a rotina da criança e da família que, sem saber como resolver a situação, acaba improvisando e, muitas vezes, piorando o quadro emocional do transtorno. Em entrevista recente ao Programa Metrópole Saúde, da Rádio Metrópole FM – BA, o Urologista especialista em Uropediatria e Coordenador do setor de Urologia da UFBA, Dr. Ubirajara Barroso Júnior, falou sobre o assunto e tirou dúvidas sobre comportamento dos pais, tratamento e orientação especializada.

Segundo o especialista, o xixi na cama não é uma doença, mas sim um sintoma que causa consequências na vida dos pequenos. “A criança que ainda faz xixi na cama se sente imatura, se sente diferente, acha que é a única pessoa do mundo que faz isso; se sente inferiorizada, acha que o problema é dela”, diz.

Na entrevista, o urologista ainda alertou para os sintomas que o transtorno pode manifestar durante o dia e, também para a alta taxa de intolerância relacionadas ao problema: 100% – entre repreensões verbais, deboches e castigos físicos. “Quando 40% das crianças apanham por algo que elas não têm a menor culpa, isso só vai trazer um problema”, alerta. A seguir, perguntas e relatos reais feitos por ouvintes durante a entrevista.

Minha criança tem 3 anos e já faz xixi no banheiro. Mas tem resistência em fazer cocô, por isso faz em um cantinho da casa e, às vezes, na roupa. O que se orienta?

Segundo o especialista, é muito comum encontrar crianças que evitam, a todo custo, ir ao banheiro. “A maior causa disso é a constipação intestinal; aquela criança que tem ressecamento, que tem dor ao defecar. Então, ela começa a reter fezes, e ela precisa daquele momento que é dela, no cantinho, porque ir ao banheiro e sentar no vaso sanitário passa a ser algo estressante”, explica. Nesse caso, a recomendação do urologista é a busca por um especialista para melhorar o ressecamento intestinal. Por aqui, já falamos sobre a relação entre a prisão de ventre e os episódios de xixi na cama. Beber mais água, fazer atividade física e seguir uma dieta rica em fibras, são atitudes que podem ajudar.

Meu filho tem quase 5 anos e não sei o que fazer para ensina-lo a fazer xixi à noite. Toda madrugada temos que fazer uma peregrinação de 3 em 3 horas para levar ele ao banheiro e fazer xixi ‘por ele’. Digo isso porque ele nem acorda, mas quando apontamos o pipi dele no vaso, sai bastante xixi. Se a gente não leva, ele faz duas ou três vezes na cama numa só noite. Estamos nesse processo a meses e sem evolução. O que fazer?

Para o especialista, interromper o sono da criança é contra produtivo. “Isso não ensina a criança a reter urina à noite; e, ainda, ela vai se cansar, vai cair o rendimento escolar e o pai ou a mãe também rendem menos no trabalho. O resultado é todo mundo cansado, estressado e a enurese transformada em um problema maior do que ela é”, diz. Ainda segundo ele, a melhor alternativa é procurar orientação médica e adotar tratamentos comprovados, de acordo com o tipo da enurese. “O xixi na cama pode ser dividido em duas partes: aquele em que o xixi à noite é o único sintoma e aquele que é associado a outros sintomas durante o dia. São problemas diferentes, cada um com o seu tratamento”, explica.

Minha filha começou a fazer xixi na cama depois dos 7 anos. No começo briguei, tirei coisas que ela gostava e não adiantou. Parei de dar castigo e levei ao psicólogo. Tudo se resolveu.

De acordo com o especialista, esse é um típico caso de enurese noturna secundária, um tipo específico do transtorno caracterizado por perdas involuntárias depois de um longo período de noites secas. “Geralmente, quando isso acontece, há algum evento muito estressante na vida da criança que a levou a, como se fosse, regredir um pouco. Geralmente são aquelas crianças mais ansiosas e, pra enurese secundária, é obrigatória a avaliação do psicólogo”, orienta.O Sem Xixi na Cama sempre enfatiza a importância de ter paciência e procurar entender os motivos relacionados ao xixi na cama antes de tomar atitudes corretivas que possam mexer com a saúde emocional da criança.   

Fiz xixi na cama até os 15 anos e parei do nada. Mesmo na fase adulta, pelo menos uma vez no mês, acontece esse incidente. No pilates foi abordada a questão de fazer exercícios para fortalecer a musculatura e isso tem ajudado muito.

Para o Dr. Ubirajara, antes de adotar medidas por conta própria é preciso avaliar o problema com um especialista. “A incontinência é muito diversificada nas suas causas. Então, dependendo do motivo, o exercício piora o quadro.Por isso é importante avaliar corretamente e buscar um profissional que entenda, de fato, sobre o assunto”, diz. Segundo estudos recentes, menos de 1% dos adultos carregam a enurese noturna da infância. Mesmo assim, é essencial buscar orientação profissional antes que isso se arraste por um longo tempo. Nesses casos, contar com psicólogos pode ser de grande ajuda, já que a situação passa a afetar relacionamentos e situações sociais.

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