Intestino preso prejudica absorção de nutrientes e favorece quadros como enurese noturna

Com qual frequência seu filho vai ao banheiro? Estima-se que 3, em cada 100 crianças em idade escolar, apresentem algum nível de constipação intestinal, sendo esse o motivo em 3% das consultas pediátricas. Os dados revelam que a prisão de ventre em crianças não é incomum, mas que é preciso se atentar a comportamentos e rotinas que contribuem para o quadro. A prisão de ventre pode prejudicar a absorção de nutrientes e facilitar episódios de encoprese e, também, enurese noturna – perda involuntária de cocô e xixi, respectivamente. Posturas de retenção, irritabilidade, perda de apetite e dores abdominais denunciam o problema. Confira os motivos que favorecem a prisão de ventre em crianças.

  • Quando o vaso sanitário é um inimigo

Muitos são os fatores que levam a criança a evitar o uso do banheiro. Medo de sentir dor, ansiedade para voltar a brincar, dificuldade de acesso ao vaso, e até vergonha dessa situação íntima, são alguns deles. Por isso é tão importante respeitar o tempo certo para o desfralde e dar atenção ao aprendizado do uso do banheiro. Além das adaptações no cômodo que ofereçam segurança e conforto para a criança, livros infantis e a presença dos pais podem ajudar. O mais importante é que a criança entenda a importância dessa rotina e se manifeste caso não consiga evacuar.

  • Quando a dieta não ajuda

Prisão de ventre em crianças pede uma boa revisão na alimentação e, principalmente, na ingestão de líquidos. A água ajuda a amolecer as fezes, assim como as fibras contribuem para a formação do bolo fecal. Invista em um cardápio com frutas, verduras e legumes, recorrendo à orientação nutricional quando houver dificuldades associadas a essa proposta mais natural. Distrações à mesa, não, não! A concentração é importantíssima para a mastigação correta, e, consequentemente, para a absorção dos nutrientes no organismo. Associado a isso, uma rotina de atividades físicas também é indispensável.

  • Quando há disfunções associadas

Se a dieta da criança é boa e não há motivos comportamentais ligados à prisão de ventre, é preciso investigar com um especialista as possíveis doenças que estejam relacionadas ao sintoma. Hipotireoidismo, doença celíaca, intolerância à lactose e TDAH são algumas das possibilidades. Por isso é fundamental conversar com o pediatra e evitar medidas como uso de laxativos, que prejudicam a flora e não atacam as raízes da obstipação. Se possível, faça um registro intestinal da criança por sete dias e leve ao médico para ajudar no diagnóstico.

Prisão de ventre e enurese noturna

A prisão de ventre em crianças pode desencadear problemas miccionais como infecção urinária e enurese noturna, transtorno que causa perda involuntária de xixi durante o sono a partir dos 5 anos de idade. A situação acontece porque o intestino grosso, cheio de fezes, exerce uma pressão sobre a bexiga e faz com que a criança não tenha pleno controle sobre a micção. Portanto, se o seu filho faz xixi na cama, observe a frequência e o tipo das fezes dele durante alguns dias. O ideal é que ele vá ao banheiro pelo menos uma vez ao dia, sem dificuldades ou dores.